A terapia para crianças gera muitas dúvidas nos pais — e faz sentido. Afinal, como uma criança pequena vai “fazer terapia”? Ela vai ficar sentada numa cadeira falando sobre os sentimentos? Vai entender o que o psicólogo está fazendo?
A resposta é não — e é exatamente por isso que a terapia infantil funciona de forma completamente diferente da terapia para adultos.
Terapia para crianças funciona pelo brincar
Crianças não se comunicam principalmente pela fala estruturada — elas se comunicam pelo brincar. O brinquedo é a linguagem natural da criança, e é por meio dele que ela processa emoções, ensaia situações difíceis e desenvolve recursos internos para lidar com o que sente.
No consultório, isso significa que a sessão pode envolver jogos, desenhos, histórias, encenações e brincadeiras — tudo com intenção terapêutica. A criança não precisa saber “o que está sendo trabalhado” para que o processo aconteça. O psicólogo conduz o espaço de forma estruturada, mesmo que para a criança pareça uma brincadeira.
O que acontece na primeira sessão
A primeira sessão com crianças menores geralmente não começa com a criança — começa com os pais. Antes de qualquer contato com a criança, é fundamental entender o contexto: o que está acontecendo em casa, na escola, nas amizades. O que os pais percebem, o que a escola relata, quando os comportamentos começaram.
Essa entrevista inicial com os pais é parte do processo terapêutico — não uma formalidade. É ela que permite construir uma hipótese sobre o que está acontecendo com aquela criança específica, antes mesmo de ela entrar no consultório.
Como funciona a Terapia Cognitivo-Comportamental para crianças
A abordagem que utilizo é a Terapia Cognitivo-Comportamental — uma das mais estudadas e com maior evidência científica para crianças e adolescentes. Na prática com crianças, a TCC é adaptada para a linguagem e o desenvolvimento de cada faixa etária.
Isso significa trabalhar de forma lúdica, com objetivos concretos: ajudar a criança a identificar o que sente, entender de onde vem o desconforto e desenvolver recursos para lidar com situações difíceis. Os pais também participam do processo — porque o que acontece fora do consultório é tão importante quanto o que acontece dentro dele.
O papel dos pais no processo
Terapia para crianças não é um trabalho isolado entre psicólogo e criança. Os pais são parte fundamental do processo — não porque fizeram algo errado, mas porque são o ambiente mais importante da criança.
Ao longo do acompanhamento, oriento os pais sobre como lidar com situações específicas em casa, como responder aos comportamentos da criança de forma que apoie o processo terapêutico e como criar um ambiente que favoreça o desenvolvimento emocional saudável.
Quanto tempo dura o processo
Não existe uma resposta única — depende da criança, da queixa e do contexto. A TCC é uma abordagem estruturada, com objetivos claros e prazo definido. Não é uma terapia infinita. O objetivo é que a criança desenvolva recursos próprios para lidar com as dificuldades — e que esses recursos se mantenham mesmo depois que o acompanhamento terminar.
Se você tem dúvidas sobre se seu filho precisa de acompanhamento psicológico, o primeiro passo é uma conversa. Sem compromisso, sem diagnóstico imediato — só uma escuta para entender o que está acontecendo.

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